será desta? will be now?

Tenho este trabalho em mãos, seguramente, desde 2018. Fiz e desfiz, e fiz asneira que tive de resolver. O desenho seria outro mas tive que readaptar. Ainda não está completo e não sei quando voltarei a ele. Entretanto soube que a pessoa a quem é destinado não gosta de castanho… tudo isto desanima um pouco.
I have this work in hand since 2018. I did and undid it, and I screwed up then I had to solve it. The design would be different but I had to refit it. It is not yet complete and I do not know when it will return to it. In the meantime, I knew to who is destined dislike brown … all of this discouraged a little bit.

Estou a bordar com diferentes fios de seda, algumas da loja da Jessica Grimm e que ajudou na escolha dos amarelos e verdes, outras forem um lindo presente duma querida amiga Monique que voltei a ver nos meus comentários o que encheu de alegria.
I’m using different silks to embroider, some are from Jessica Grimm  shop and she help with the choice of yellows and greens, some were a kind gift from dear friend Monique that I see again in my comments with great joy.

This slideshow requires JavaScript.

abrandar | slowing down

Há muito tempo que penso que temos tanta coisa de que, verdadeiramente, não necessitamos. Foi seguindo o blogue da Raina ( um fotógrafa de primeira) há já muitos anos, que comecei a ter essa certeza. Entretanto tornou-se “moda” e muita coisa apareceu a confirmá-lo. Perdi o rastro da Raina mas agora consegui voltar a encontrá-la.
Dito isto explicar-vos que nestes dois/três anos em que abrandei as vindas ao blogue fui-me interessando por outras formas de utilizar tecidos, linhas e agulhas, nunca deixando de adorar o bordado, que, com algumas dificuldades nas mãos, me sai cada vez mais imperfeito.
Mas continuo a ter uma preferência especial por blogues. Por isso decidi voltar e partilhar alguns pensamentos, sentimentos que me vão ocorrendo nestes tempos tão insanos, neste mundo que parece queremos mesmo destruir.
O meu marido e eu estamos em quarentena desde final de Fevereiro, quando foi anunciado o internamento por covid- 19 do escritor Luís Sepúlveda (infelizmente entretanto falecido), que esteve nas Correntes d’ Escrita Na Póvoa. Este ano não fui, mas estive em contacto muito próximo com familiares que lá estiveram. Correu tudo bem e comecei a fazer um projecto que tinha na cabeça há alguns anos – juntar as camisolas das netas mais velhas trazidas de diferentes países pelos quatro avós sempre que viajavam (no artigo anterior podem ver o slide show do que já está feito) intercalando com leituras atrasadas.E ia seguindo notícias nacionais e mundiais, é claro.
De repente, há cerca de cinco semanas começo a ter dores agudas num ouvido com uma borbulhagem na pele à volta do ouvido – tive uma zona – doença vírica – não vos vou aborrecer com pormenores, mas só vos digo que é de enlouquecer a dor no ouvido! Depois pensei que ia desta com a medicação que tive, mesmo, que tomar, apesar das interferências com outras que também tenho mesmo que tomar. Já tudo passou, penso eu, mas “sinto” sempre o ouvido… o que não é normal. Desliguei-me dos cuidados caseiros e das notícias – valeu-me o marido que tenho quer para os cuidados caseiros, comigo e manter-me minimamente informada. Estou a voltar à normalidade mas tão saturada de boatos, notícias falsas, péssimo jornalismo que não escreve e investiga sobre o essencial do momento que estamos a passar, de políticos com uma má-fé insuportável, uma sem vergonha que me perturba. Estou cansada e vou dedicar-me a abrandar no percurso do reciclar, refazer roupas que tenho a mais, remendar e todos os erres possíveis e só ler mesmo o que me interessa. Espero conseguir e continuar a partilhar tudo isso com quem ainda me lê aqui no blogue. Obrigada e cuidem-se.

I think for a long time that we have so much that we really don’t need. It was following the blog of Raina (a first-rate photographer) many years ago, that I started to be sure. In the meantime it became “fashionable” and a great deal appeared to confirm it. I lost Raina’s trail but now I managed to find her again.
That said, I explain to you that in these last two / three years that I slowed down my visits to the blog, I became interested in other ways of using fabrics, threads and needles, never failing to love embroidery, which, with some difficulties in my hands,comes increasingly imperfect.
But I still have a special preference for blogs. So I decided to come back and share some thoughts, feelings that are coming to mind in these crazy times, in this world that seems we really want to destroy.

My husband and I have been in quarantine since the end of February, when the admission in the hospital of the writer Luís Sepúlveda (unfortunately since deceased) who was at Correntes d ‘Escrita Na Póvoa was announced. This year I didn’t go, but I was in very close contact with family members who were there. Everything went well and I started doing a project that I had in mind a few years ago – putting together the shirts of the older granddaughters brought from different countries by the four grandparents whenever they traveled (in the previous article you can see the slide show of what is already done) interspersing with delayed readings. And I was following national and world news, of course.
Suddenly, about five weeks ago I started to have sharp pains in one ear with a pimple on the skin around the ear – I had shingles – viral disease – I won’t bore you with details, but I just tell you the pain inside ear is something insane! Then I thought I fall away with the medication that I really had to take, despite the interference with others that I have to take too. It’s all over, I think, but I always “feel” the ear … which is not normal. I disconnected myself from home care and news – thanks to my husband for home care, my care and kept me minimally informed. I am returning to normality but so saturated with rumors, false news, terrible journalism which don’t care and investigate the essentials of the moment that we are going through, of politicians with unbearable bad faith, shameless that disturbs me. I’m tired and I’m going to dedicate myself to slow down on the recycling path, remake the clothes I have too much, mend and make all the rrr‘s possible and just read what really interests me. I hope to achieve and continue to share all this with those who still read me here on the blog. Thanks and be safe.

Continue reading

Lágrima de preta | Black Tear

Encontrei uma preta          I found a black woman
Que estava a chorar            Who was crying
Pedi-lhe uma lágrima         I asked her for a tear
Para analisar.                       To analyze.

Recolhi a lágrima                 I picked up the tear
Com todo o cuidado             With great care
Num tubo de ensaio             In a test tube
Bem esterilizado.                  Well sterilized.

Olhei-a de um lado              I looked at her from the side
Do outro e de frente            On the other and facing
Tinha um ar de gota             It looked like a drop
Muito transparente.             Very transparent.

Mandei vir os ácidos              I order the acids
As bases e os sais                  The bases and salts
As drogas usadas                   The drugs used
Em casos que tais.                  In such cases.

Ensaiei a frio                           I checked in the cold 
Experimentei ao lume             I tried it on fire
De todas as vezes                    Of all times
Deu-me o que é costume.        It gave me what is usual.

Nem sinais de negro              No signs of black
Nem vestígios de ódio            Not hate traces
Água quase tudo                    Water almost everything
E cloreto de sódio.                  And sodium chloride.

Um poema de António Gedeão, cantado por António Correia de Oliveira
meu poeta e meu cantor preferido – há muito um dos meus poemas preferidos de Gedeão, cantado por um dos meus cantores favoritos – tantas saudades

A poem by António Gedeão, sung by António Correia de Oliveira
my poet and my favorite singer – for long one of my favorite poems by Gedeão, sung by one of my favorite singers –  miss them so much .

Respeito | Respect | Rispetto | Respeto | Achtung | Respect

pelos Direitos Humanos SEMPRE for Human Right ALWAYS

dei Diritti Umani SEMPRE | a los Derechos Humanos SIEMPRE

der Menschenrechte IMMER | des Droits de l’Humanité TOUJOURS

Sempre o meu único desejo para qualquer ano/mês/dia/hora/minuto/segundo novo do resto das nossas vidas
Always my only wish for any new year / month / day / hour / minute / second of the rest of our lives

Não resisto partilhar

Jornal de Letras
dois poemas tão atuais do final do artigo Sena e Sophia, dois poetas no princípio do mundo de Luís Filipe Castro Mendes, no JL , que desconhecia.

de Sophia
“Nestes últimos tempos, é certo, a esquerda fez erros
caiu em desmandos confusões praticou injustiças

Mas que diremos da longa tenebrosa e perita
degradação das coisas que a direita pratica?
(…)
Nestes últimos tempos é certo a esquerda muita vez
desfigurou as linhas do seu rosto

Mas que diremos da meticulosa e eficaz expedita
degradação da vida que a direita pratica?

de Sena
“Liberdade. liberdade
tem cuidado que te matam

Com desordens, falsidade,
economia desfeita;
com calculada maldade
promessas de felicidade
e a miséria mais estreita

Liberdade, liberdade,
tem cuidado que te matam

Que muito povo se assuste
julgando que tu és culpada,
eis o terrível embuste
por qualquer preço que custe
com que te armam a cilada.

Nota 1: hoje em dia só leio dois jornais em papel, o Jornal das Letras, quinzenal, que assinamos e o Diário de Notícias, semanal, que compramos ao sábado. Habitualmente leio todos os artigos com muito interesse. Artigos de outros jornais vou lendo através de amigos e conhecidos, mesmo que virtuais
Nota 2: conhecia já os poemas de Sophia e Sena celebrando a Liberdade trazida por Abril. Não conhecia estes sobre uma certa desilusão destes grandes poetas, contudo como assinala o autor deste artigo: ” Mas nunca eles renegaram as suas profundas convicções democráticas por isso, bem pelo contrário.
Nota 3: não sei ler poesia, mas adoro ouvir dizer bem poesia – que saudades Mário Viegas!